Nicola Martins escreve artigo sobre como o retrofit pode transformar o centro de Criciúma. Inspirado por experiências de outras cidades, ele propõe requalificar áreas históricas com planejamento, participação pública e incentivos.

Nos últimos anos, o conceito de retrofit tem ganhado espaço como estratégia para a requalificação de centros urbanos. Muito difundido em diversos países, esse movimento tem sido implementado em cidades brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Em Santa Catarina, Florianópolis já adotou a iniciativa, com obras em andamento e algumas já entregues à população.
Mas afinal, o que é retrofit? O termo se refere a um conjunto de intervenções que modernizam e requalificam edificações antigas, preservando suas características arquitetônicas, mas adaptando-as às demandas contemporâneas. No contexto urbano, essa técnica se apresenta como uma alternativa sustentável para revitalizar áreas degradadas, tornando-as mais atrativas para moradia, comércio e lazer.
Em Criciúma, o debate sobre o tema teve início em janeiro, quando levei a discussão para diversas entidades da cidade. Toda política pública começa com a identificação de um problema e sua inserção na agenda pública. Para que soluções sejam efetivamente construídas, é essencial que a comunidade reconheça os desafios e participe ativamente desse processo. No caso da nossa cidade, a necessidade de requalificar a Praça Nereu Ramos e seu entorno é uma questão urgente, que precisa ser enfrentada com planejamento e ações concretas.
Com esse propósito, em abril, realizaremos uma audiência pública para discutir o processo de criação da legislação de retrofit em Florianópolis e avaliar como ele pode ser adaptado à realidade de Criciúma. Paralelamente, junto à Prefeitura e diversas entidades, formaremos uma comissão para aprofundar os estudos sobre a viabilidade dessa iniciativa no município.
A experiência de outras cidades mostra que o sucesso do retrofit depende de dois fatores fundamentais: legislação e incentivos fiscais. Para que esse modelo seja viável, é imprescindível que a regulamentação para a flexibilização das normas de construção e licenciamento caminhe lado a lado com a concessão de benefícios fiscais por parte do poder público. O incentivo tributário pode ser um fator decisivo para atrair investimentos e viabilizar a transformação urbana que Criciúma tanto precisa.
Nosso objetivo é claro: queremos uma Praça Nereu Ramos, Henrique Lage, Marcos Rovaris e tantas outras ruas vivas, movimentadas e seguras. Centros urbanos ativos contribuem para o fortalecimento da economia local, promovem maior segurança e elevam a qualidade de vida da população.
Criciúma tem a oportunidade de avançar nesse caminho. O momento de debater e agir é agora.
Nicola Martins (PL) é vereador em Criciúma.